A vida não quer dizer nada
Ser só, não é mais um motivo pra poesia
A face desfigurada de um ser que ainda teme a morte já no fim de sua vida
Sua dependência ao ser humano se faz maior
E em teus aposentos de acomodadas primaveras
Cai a neblina densa que desatina seus sentidos
Já não se vê mais o copo sobre a mesa
Em seus pés abrem fendas
Suas mãos já não se aquietam mais
Tua boca fria e seca é espelho de seu sofrimento
Suas mãos, a prova de um passado longo
A lembrança agora é confusa
Seus amigos não se diferem
Mas as lágrimas ainda caem ao se ouvir à voz daquele que por amor o visita
As únicas lágrimas que fazem com que surja um brilho em seu olhar
Olhar que expressa enorme alegria por alguém o valer
Por ali ir, para o ver.
Um abraço com pedidos de bênção
Bênção que ali mesmo é dada com muito amor
Expressado no choro onde a tristeza se expõe nua
Um gemido silencioso
Mas dolorido ao coração de quem vê
Passando a sentir a dor daquele sofrimento
As palavras que são lidas através de seus lábios muchos
O sussurro do desespero que sai dali
Uma prosa para espantar o choro
Mas é hora de partir
Te da mais dor partir
Do que vê-lo te ver partindo
Pois não sabes se o choro que está vindo
É de felicidade pelo valer ou pela partida daquele que o foi valer
Mas se cala com a afirmação de volta
Só espero que não me esperes voltar
Mas que se lembre de mim quando for
Pois em mim tua imagem sempre estará
Seu andar lento e triste
Sua cabeça baixa e quente
Seu assobio de melodias tristes
E seu olhar que nos ensina a amar quem tanto nos vale
E sua bênção dá espalhando tamanho querer bem
Pois é na sua partida que sei que mais precisará de minha mão
Mas mesmo não a tendo
Meu amor de neto Chico sempre terá.
Um poema feito inspirado em trechos da vida de um senhor que se adentrou no caminho de minha família e que se tornou parte dela.
ResponderExcluirSua Bênção e grandes saudades Sr. Chico.